sábado, 5 de Novembro de 2011

Calor antecipou apanha da azeitona

“Azeitona apanhada antes do Natal fica no olival”, diziam os antigos. Este ano o calor trouxe agitação aos olivais antes da época.

Por Alburitel, no concelho de Ourém, durante o fim-de-semana, estenderam-se os panos e subiu-se às oliveiras para apanhar uma azeitona que já começou a secar. O tempo, afirma quem sabe da poda, está a afectar a qualidade do produto final.

“O tempo mudou, as estações já não são tão certas como antigamente. Foi acabar a vindima e começar na azeitona, nem tive férias”, comenta Elias da Silva, autarca de Alburitel, enquanto retira a azeitona dos ramos da oliveira, cortados a motosserra.

Noutros tempos, refere, trabalhava-se à jorna e a buzina chamava o pessoal às 05h00 para a apanha. No bolso levavam-se figos secos para o mata-bicho e o patrão oferecia um cálice de aguardente. Assim se aguentava o trabalho no campo, ao sol ou à chuva, numa época em que ainda havia quem comprasse este azeite e quem produzisse frutos secos.

“Este ano, com o calor, a azeitona já está a secar. Mas quem a souber aproveitar ainda apanha qualquer coisa”, comenta. Entre os panos e os baldes cheios de azeitona bem madura, refere-se que provavelmente a qualidade do azeite vai sair afectada este ano. À semelhança das últimas épocas, há bastante azeitona nas oliveiras. Mas o calor dura há já demasiado tempo e o produto seca rapidamente nas árvores.

“O que faz hoje com este azeite?”. Com 80 anos, António Dias ainda se perde entre os olivais. Diz que prefere estar por ali o dia todo, ao sol, do que numa taberna entre os copos de tinto. “Vender o azeite não vale a pena, quase ninguém compra. Fica-se com ele, dá-se aos filhos. Este ano já entreguei 400 quilos de azeitona na Cooperativa de Fátima”.

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